Churrasco está 180% mais caro – Quem não abre mão do petisco nos finais de semana está optando pelas carnes mais baratas
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| A opção é pesquisar o preço da carne, para não ficar sem o tradicional churrasco |
19.Jul.2008 | Dourados – Depois de afetar os itens básicos, como o arroz e o feijão, a inflação vem atingindo um importante prato brasileiro: o churrasco. Nos últimos dez anos o preço da iguaria subiu 180%, segundo o professor PHD Marcos Crivelaro, consultor financeiro da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), que fez um trabalho direcionado ao tema. Ele aponta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de junho de 1998 a junho de 2008, subiu 90,97%.
O consultor explica que detalhou o percentual de cada item que compõe o churrasco e percebeu que todos os alimentos tiveram aumento superior à inflação. A costela de boi aumentou 207,13%; a carne bovina de primeira, 169,08%; frango, 135,57%; alface crespa, 123,61%; cebola, 123,61%; e pimentão, 101,61. Segundo ele, apenas a inflação dos ingredientes da salada de maionese ficou abaixo do IPCA. A batata, 81,81%; cenoura, 73,21%; tomate, 64,98%; cheiro verde e temperos, 54,99%.
Em Dourados muitas famílias tiveram que adotar hábitos diferentes, como por exemplo, parar de fazer churrasco todos os finais de semana ou optar por carnes mais baratas. “Quem tem poder aquisitivo mais alto não deixou de fazer seu churrasquinho todos finais de semana. Quem não tem, faz apenas uma vez por mês para reunir a família”, ressalta o gerente de um supermercado localizado na periferia da cidade.
Ele diz que depois do aumento do preço da carne bovina, houve uma retração significativa nas vendas. Muitas pessoas passaram a optar pelas carnes suínas ou de frango, que são mais baratas e que também são boas opções para churrasco.
O encarregado de açougue de um supermercado na área central, Aldair Mandacari, diz que as vendas continuam altas, principalmente nos finais de semana. No entanto, muitas pessoas optam pelas carnes mais baratas, como miolo de acém, fraudinha e ponta de peito que estão sendo vendidas, em média, a R$ 9,99. Quem não abre mão de carnes de primeira para o churrasco, opta pela alcatra ou contra filé, que estão custando, em média, R$ 11,99. “Além de optar pelas carnes mais baratas ainda aproveitam as promoções de final de semana”, ressalta.
Para a aposentada Geni Floriano, 64, a saída para driblar o aumento nos preços é pesquisar. “Vou a vários supermercados mais de uma vez por semana e pesquiso bastante”, diz.
PESQUISA É TUDO
A receita seguida intuitivamente pela aposentada é a mesma recomendada por especialistas. “A principal dica para economizar na hora das compras é pesquisar muito. O consumidor deve ficar atento às promoções dos supermercados, principalmente nos finais de semana”, ensina a diretora-executiva do Procon, Odila Lange. Segundo ela, outra opção é o consumidor tentar substituir alimentos que tenham o mesmo valor nutricional, como a carne bovina pela carne branca.
Por conta da inflação, Odila acredita que a população deve mudar de hábitos, aproveitando a concorrência acirrada que existe entre os supermercados. “No caso da carnes em promoção, se puder comprar em grande quantidade e guardar num freezer, é uma boa opção “, ressalta. No caso de um churrasco, outra dica é oferecer de entrada aperitivos como por exemplo, pão feito à base de alho ou a lingüiça, pois são alimentos que ajudam a saciar a fome e, consequentemente, ajuda a reduzir o consumo de carne.
FONTE: Progresso.com.br



